Quinze de Dezembro de 2089.
Já há três dias que o Sol não aparece. Eu sabia que isto ia acabar mal.
Dezoito de Janeiro de 2090.
A ventania voltou, mas com mais força, levando os edifícios mais fracos com ela.
Vinte de Março de 2088.
O professor chegou com mais uma das suas invenções. Diz que vai acabar com as doenças, com os problemas da Terra e tudo o mais. E aparentemente, sou a única que pensa que não vai correr bem.
Sete de Dezembro de 2089.
Já não sobra muita luz no que costumava ser o lugar mais solarengo de toda a América. Penso que já não resta muito tempo.
Trinta de Janeiro de 2090.
A ventania não parou. O fim é iminente.
Vinte de Dezembro de 2089.
Ninguém sabe o que fazer. Ninguém estava preparado para isto. Pergunto-me se alguém sobreviverá.
Vinte e nove de Janeiro de 2090.
O vento parou, dando lugar à paranóia. Hoje houve um tremor de terra. Alguns prédios caíram.
Treze de Setembro de 2089.
As pessoas notam algo de estranho no céu. Estão assustadas.
Um de Janeiro de 2090.
Algo que ninguém esperava. O céu ganhou uma nova tonalidade. No antigo azul-escuro distinguem-se umas linhas brancas.
Trinta e um de Dezembro de 2089.
Uma ventania invulgar, como que a varrer este ano, obriga todos a ficarem em casa. Pode ser que amanhã volte tudo ao normal.
Três de Janeiro de 2088.
A televisão está cada vez mais monótona. Falam sobre uma nova doença. Sobre o planeta estar cada vez mais velho. Afirmam que têm tudo sobre controlo, mas todos sabem que não é verdade.
Seis de Fevereiro de 2090.
As ruas estão vazias. Parece que isto nunca mais vai acabar.
Vinte e cinco de Dezembro de 2089.
É Natal e poucos restam para o recordar. O Sol ainda não voltou.
Vinte e três de Outubro de 2089.
Hoje apareceram uns homens. Soldados, acho. Queriam evacuar a zona, apenas por precaução, diziam. Foram todos, excepto alguns que não acreditam. Preferi ficar.
Tracy bate mais uma vez. Não há resposta. Então, agarra numa pequena chave, e um segundo depois abre a porta. Um quarto branco, onde múltiplos desenhos se encontram ao longo das paredes. À medida que se aproxima repara que não são desenhos, mas sim letras. Quase que um diário. Toca suavemente nas inscrições e ao virar-se depara com um corpo pálido, sem vida. Grita e caminha lentamente até à sala do director, de olhos arregalados. "Sim, senhora Tracy?". "Um corpo... o senhor Greengrass! Morto!" e então entra num estado de choque imenso. O director procura uma ficha nas gavetas, e depois digita um número no telefone. "Senhora Greengrass? Sou o director do Hospital Psiquiátrico Bethlem Royal. Temo que o seu marido tenha morrido."
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