Gosto de ver os carros passar. Não para contar os vermelhos, nem para procurar um amarelo apenas porque, pelo que descobri há pouco tempo, me dá o direito de bater em alguém, mas sim porque dentro do carro está uma pessoa. Pessoa essa que vai tão abstraída que nem repara no que há à sua volta. E ponho-me a imaginar a vida que terá tido até então, ou qual o seu destino. Invento milhares de hipóteses, e dou-lhes uma vida que não lhes pertence, e que ficará apenas na minha cabeça.

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