Os primeiros dias com a sua amada foram vésperas de Natal. Ela manteve-se igual, de ano para ano, protegida da idade dentro da sua arca. Ele? Cresceu, desde criança até hoje. Poderia ter sido ao contrário, porém a lógica não permitiu. Os três juntavam-se nas vésperas de Natal para o receberem juntos, e todas essas noites eram as melhores de sempre. Ele apaixonou-se. Ela também. Sete noites e um dia para viver, disse-lhe ela, mais do que isso não duraria. Voltou a fechar-se no seu casulo e no Natal seguinte não o abandonou como era habitual. Nem no que veio a seguir a esse nem em mais nenhum. Como era habitual, não o abandonou e nos Natais que se seguiram permaneceu fechada no seu casulo. Duraria mais do que isso, disse-lhe ela, se ali ficasse, tendo um dia para viver ao sair, para juntar às sete noites passadas com ele. A paixão dela estava congelada. A dele não. Guardou o melhor dia de sempre para um futuro longínquo, velho avarento, receando gastá-lo. O Natal não era mais recebido por eles. A lógica permitiu que ele crescesse, desde hoje até criança. Protegida dentro da sua arca, ela manteve-se igual, de ano para ano. Se tivesses um último dia com a tua amada, que dia escolherias?

O primeiro dia do resto da minha morte.
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