Tic, tac, tic, tac.
Ressoa o ponteiro
Que nunca conheceu outro cheiro
Que não aquele dos números
Tic.
Não foge, não desiste
Pois sabe que existe
Para lá das horas e minutos
Um sorriso de luto
Do tempo que passou
Tac.
E com perseverança
Pouco a pouco,
Finalmente alcança
O tão esperado doze.
Tic.
E tão depressa o abandona,
Oh, doce saudade!
Mas não pode demorar-se
Não, não com a hora a atrasar-se.
Tac.
E, supondo que Deus
Nos criou à sua imagem
Então os humanos
Criaram toda a sua cronometragem
À humanidade da engrenagem.
Tic, tac, tic, tac, tic.

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