Tenho andado a tentar perceber que fenómeno é este que me mantém afastada da escrita durante um determinado período de tempo. A verdade é que acontece todos os anos, começando ora por outubro ora por novembro, e encontrando o seu termo por volta de fevereiro, quiçá abril. Talvez seja a clara falta de tempo, ou ainda o cansaço de fim de ano que bloqueia a criatividade. Poderá ainda tratar-se de uma simples preguiça de criar. A desculpa mais frequentemente fornecida é a hibernação criativa que sofro no inverno, hibernação essa que resulta de uma inactividade artística. E esta desculpa será portanto a associação de todas as outras. Encontrar-me-ão neste momento a voltar a andar, passo ante passo, depois de ter passado o que me pareceram anos numa cadeira de rodas, a olhar para as pernas e a perguntar-lhes porque não se mexiam.

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