Está um monstro debaixo da minha cama. Consigo ouvi-lo. Quando era pequeno dizia isto todas as noites. E todas as noites o meu pai olhava para debaixo da cama. “Volta a dormir, os monstros não existem.” Dizia ele. E eu acreditava. Mas, e agora? O quarto continua igual. As sombras rodeiam-me como sempre fizeram. Consigo ouvir o monstro. Chama por alguém. Encolho-me num canto da cama e sussurro o teu nome. Repito para mim mesmo a frase que me dizias. Mas tu não apareces como costumavas. Decido verificar, a medo, se está algo debaixo da cama. Decido armar-me em corajoso. E não encontro nada. Apenas objectos perdidos há muito tempo. Mas ainda ouço monstro. E ao voltar para cima da cama, vejo-o no espelho. Está um monstro em cima da minha cama.

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