chávenas usadas

tic toc

setembro 27, 2012

Afoguei-me num mar de saudades, e agora no fundo já não consigo distinguir tudo aquilo de que sinto falta. Oh, são tantas coisas, pessoas, momentos, cidades, quartos. Cada um com um cheiro diferente no qual já não ponho o nariz há demasiado tempo. E isso magoa, aqui, vês? Mesmo no lado direito do coração de melão. Sou feita de metal mecanizado para ser feliz, e isso assusta-me porque o metal não cresce. Mas derrete. E transforma-se. Em algo melhor ou pior, diz-me tu. A verdade é que me viciei em pessoas e por muito que queira estar sozinha não consigo, e desta vez sou eu que me impeço de o fazer. Tenho medo, chiu. E caminho agora para o campo de batalha onde mais uma vez… oh, contudo, lembro-me. Estava no fundo do mar, a afogar-me, a perder a consciência e o fôlego. A afogar-me num mar salgado demais para mim. A afundar-me.

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