A desarrumação desta sala combina com a cor das paredes. É uma bela confusão, de facto. Tão bela quanto ela. Cadeiras, aliás, pedaços delas, espalhados por toda a divisão e penas a segurar o farto cabelo dourado. Paredes a desfazer-se e uma pele suave como veludo, marcada por pequenas sardas. Uma manta desembrulhada e uma trança mal feita em cima do sofá, a descer-lhe pelo pescoço. Os olhos, irradiam luz e as janelas brilham de felicidade. Luz verde, vinda do sol. Algumas fitas espalhadas pelo que lhe resta do cabelo, juntamente com algumas contas e um candeeiro fundido. Livros espalhados, alguns abertos, outros esmagados, capa dura e palavras frágeis, vindas dela, pequenas mãos que sempre escreveram outros fados. Por fim, alguns bolos numa pequena mesa de vidro, doces lábios que agora beijo, rebentando finalmente esta onda que se formava.

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