Sinto-me morta. Talvez o esteja de facto. A cápsula que ainda tenta prender a minha consciência à terra, que a torna um ser humano e lhe tira tudo o que poderia fazer dela humana, está aí, à vista de todos. Ninguém sabe porém que por dentro está oca, comida por traças e outros vis e rastejantes espécimes. A não ser eu, tomara não me encontrar neste estado. Entre o mundo dos vivos e o submundo, como Perséfone, presa entre o sol e a vida, e o seu amado que a enterrava consigo, pois apenas debaixo de terra poderiam estar juntos. E não é sempre assim com as grandes histórias de amor? Para que se possam amar eternamente devem estar mortos, todos mortos, porque de outra maneira a vida meter-se-ia no caminho.

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